Entrevista #01 - Kiss Army: Seguidores Incondicionais.


Quando pensamos em criar a seção "Entrevistas", queríamos que as pessoas dessem seu depoimento sobre um show ou fato da música que se tornou um marco em suas vidas. Abaixo, segue a entrevista conduzida com os irmãos César e Mauro Watanabe, fãs incondicionais do Kiss que estiveram presentes no show da banda semana passada em São Paulo.

GV: Qual a relação de vocês com o rock n´roll?

Mauro: O Rock está presente no nosso dia a dia seja escutando música na academia, no trabalho ou estudando. Se ligarmos o rádio tem que ser para escutar um rock.
A trilha sonora quando estamos no computador é rock n´roll que é um gênero para qualquer hora. E não é só para escutar não, tem que ser na imagem também. Na TV buscamos sempre um clipe de uma banda de rock. Usando o português claro: é pau pra toda obra.

GV: Podemos dizer que o rock é a trilha sonora do seu cotidiano então?

Mauro: É a trilha sonora da nossa vida.

GV: Houve alguma influência para que vocês pendessem para o lado do rock ou foi um processo natural das coisas?

Mauro: Não tive a influência de ninguém. Vou te falar que fui um cara de fases. Até os 10 anos escutei dance, musica eletrônica dos anos 80/90, mas curti e enjoou.
Houve uma época que cheguei a escutar pagode e axé, mas em pouco tempo perdi o interesse. O rock, desde meus tempos de garoto foi algo que sempre ouvi e nunca me cansei, não tem como fugir dele. É um estilo que te marca e não tem nada igual.

César: Na verdade não tive nenhuma influência também, se bem que teve o lance de ouvir com um colega de escola e gostar. Depois que você descobre e começa a curtir o som, procura buscar um pouco mais de outros artistas do gênero.
Uma grande influência do rock para mim por volta dos 15 anos foi justamente o Kiss. Quando você assiste ao show deles não tem como não falar: “Putz, isso é rock n´ roll!!!”. Foi algo que me incentivou e desde então passei a buscar novos sons dentro do rock.

GV: Quando foi que vocês escutaram o Kiss pela primeira vez? Qual foi a sensação?

Mauro: Acho que foi quando tinha sete anos. A primeira música que escutei foi Forever e achei muito louco. Era até então uma balada que eu nunca tinha ouvido e gostei pra caramba logo de cara. Procurei a letra da musica, gravei em fita K7 e passei a conhecer outros sons deles. Nessa época assisti a um clipe do Kiss na MTV e nele o Gene Simmons fazia suas loucuras no palco, soltando sangue pela boca e tocando baixo junto com aquelas luzes, achei tudo muito macabro. Eu era mais jovem e tinha me deparado com algo que era totalmente novo para mim, pensei que era coisa do satanás e fiquei com receio da banda. Mesmo assim, peguei um álbum emprestado com um amigo na época em que eles não usavam máscaras e o receio desapareceu. Quando meu irmão foi ao primeiro show dele (o terceiro da banda no país) com 15 anos, passei a me interessar ainda mais. É engraçado, pois até em um curso de Web Designer que estava fazendo na época, meu tema principal era o Kiss. Meu primeiro trabalho no curso era totalmente voltado à banda.

César: Na verdade eu cheguei a ver fotos com meu amigo de escola e achei assustador, macabro. Mas então esse meu colega falou do som e fiquei curioso. Escutei a música Forever (que na época era um hit nas rádios) sem saber que pertencia ao Kiss e quando descobri que era da banda, passei a buscar novos discos. Quando escutei o álbum Detroyer com as músicas Detroit Rock City, Beth, Shout It Out Loud, achei muito louco e fiquei fanático mesmo. Passei a acompanhar toda a discografia e saber tudo sobre a banda. Eu falava para o meu irmão que o Kiss era responsável pelo melhor show do mundo e meu irmão não acreditava muito. Foi na terceira passagem da banda pelo Brasil no dia 17/04/1999 durante a turnê do álbum Psico Circus no autódromo de Interlagos que realizei meu sonho: ir a um show do Kiss.

GV: Sobre o show no Brasil, qual era a expectativa?

Mauro: Não tivemos a oportunidade de ver o show do Chile, mas na Argentina conseguimos acompanhar pela internet e tivemos toda a certeza de que realmente seria bem louco. Quando chegamos ao local do show com aquela fila enorme, pessoas maquiadas e que realmente curtiam a banda, ficamos frenéticos. Era visível que as pessoas que estavam lá possuíam uma enorme paixão pelo Kiss. Só vivenciando o clima para entender.

GV: Como vocês se sentiram estando caracterizados de membros do Kiss? Foi algo que chamou a atenção das pessoas nas ruas e no próprio show?

Mauro: Quando nós estávamos terminando a pintura, pensamos: “Agora estamos no show!”. Foi muito legal, pois trabalhamos o dia inteiro e não tivemos a chance de comer nada. Estávamos beliscando um lanche antes do show e as pessoas nos olhavam curiosas, algumas querendo tirar fotos com a gente e foi engraçado. Bateu aquela coisa de ego e tiramos fotos com as pessoas, metendo a língua pra fora, com o olho virado a la Gene Simmons e incorporando o personagem.

GV: Qual era o sentimento de estar se dirigindo ao show de uma banda considerada um dos principais nomes do rock n´ roll?

César: Ah cara, é surpreendente, mágico e incrivelmente emocionante.

GV: Como estava o clima na Arena Anhembi? Era possível identificar diferentes gerações no show?

Cesar: Quando nós estávamos fazendo a maquiagem, podemos ver algumas pessoas que aparentavam ter seus 45, 50 anos. Eram fãs que curtiam a banda na adolescência e ainda acompanhavam os caras. Olhamos para o lado e tinha um garoto de uns 8 anos fazendo a maquiagem, todo empolgado com o pai que procurava passar adiante o espírito rock n´roll. Não é de se surpreender pois não é uma banda qualquer, a maquiagem, o cara cuspindo sangue, fogos de artifício, bateria que flutua, isso mexe mesmo com pessoas de qualquer idade.

GV: Qual faixa etária era maioria no show?

César: Pude perceber que o público estava bem mesclado, mas não tinha muito jovem daquela faixa etária que curte emo. Dessa faixa realmente não tinha. Era uma galera que aparentava ter lá seus 30 anos e que curte rock de verdade.

GV: Musicalmente falando, eles ainda estão em forma?

César: O show foi 90% perfeito e em alguns momentos você percebe que falta voz ao Paul Stanley, mas são detalhes mínimos. Essa questão pesa um pouco, mas no quesito animação os caras são bem jovens. Eles jogam sangue da boca em um lado do palco e logo depois estão em outra plataforma cantando e fazendo mais uma loucura. Na parte da animação eles não devem nada a ninguém, mas na voz, se prestar atenção, é possível perceber que a idade já pesa um pouco.

GV: A ausência de dois membros originais do Kiss, Ace Frehley e Peter Criss, comprometeu a química da banda no palco?

César: Acho que não, pois embora ambos tocassem bem, tinham um grande defeito que era o abuso no uso de drogas. Nós não percebemos isso nos integrantes atuais que mandaram ver e tocaram muito, logo eles não fizeram falta. Quando eu vi os membros originais em 1999 os dois foram bem, mas tinham esse defeito que os afastou da banda.

GV: Qual foi o melhor momento da noite para vocês?

César: Sem dúvida quando tocaram Rock n´ Roll All Nite. É diferente o som, a música, a iluminação. Realmente é o hino da banda com direito a uma festa de fumaça, papel picado e jogo de luz dando a sensação da festa perfeita. Só estando lá para sentir o clima. Realmente show de bola.

GV: Paul Stanley e Gene Simmons costumam dizer que não existe nada igual a uma apresentação do Kiss. Pode-se dizer que realmente é o melhor show do planeta?

César: Com certeza é o melhor show do planeta da melhor banda do mundo. YOU WANT THE BEST, YOU GOT THE BEST!!! (risos).

GV: Existe alguma banda recente, nacional ou internacional, que um dia possa ser comparada ao Kiss?

Mauro: Não tem. O Kiss é único, o show e a banda. Podem fazer algo parecido, mas igual não tem como. Eles criaram o show business e inovaram o modo de se fazer um show. Não basta tocar, tem que cativar e representar os personagens. Escutamos há muito tempo atrás que o Kiss era uma cópia do Secos e Molhados, mas é incomparável.

GV: O que leva os fãs a serem tão fies ao Kiss e realmente formar um exército?

César: O que leva a galera a ser tão fiel para mim é essa questão do show. O estilo influencia bastante, eles se maquiam pra subir no palco, usam armadura, bota de dragão, isso tudo influencia. Todos os fatores que fazem parte do show pesam como fogos de artifício, labaredas saindo palco. Eles dão as fãs o que eles querem.

GV: Ultimamente, os chamados “Reality Shows” vem sendo protagonizados por celebridades da música em geral, dentre eles Gene Simmons. Na opinião de vocês, essas séries de TV influenciam a carreira musical das celebridades de forma positiva ou negativa?

César: Acho que positiva já que é mais uma forma do público interagir, conhecer o artista, além de buscar e cativar os fãs. Acho uma idéia válida considerando que o fã tem a curiosidade de saber tudo que o artista faz, pensa, enfim, é uma jogada interessante.

GV: No geral, como foi organizado o show? Que nota vocês dariam?

César: É sempre complicado pensar na organização já que todos querem ganhar as custas dos fãs. Acho que o que pegou foi na alimentação dentro do local do evento. O policiamento foi muito bem estruturado, controlando o trânsito e organizando os arredores. Fui para o show de metrô então o acesso foi muito fácil. Com relação ao estacionamento, não estava tão caro, já que o preço é sempre bem elevado em eventos desse tipo. O que realmente pesou foi na venda de alimentos com água quente sendo vendida a R$5,00 reais. Dou nota 7 pela organização.

GV: Qual a nota para o show do Kiss?

Ambos: De zero a 10, nota máxima!! Show perfeito!! Foi 10!!

GV: Vocês acreditam em uma nova vinda da banda ao país?

César: Existe uma pequena chance já que um novo álbum será gravado este ano e com certeza uma nova turnê será realizada. Acho que é uma possibilidade.

GV: E estarão lá?

Ambos: Sem dúvida, mas desta vez não vamos economizar. Iremos de pista vip.


Curtas #01 - Zumbis, apocalipse e Metallica


"Death Magnetic" marca a volta do Metallica ao mundo dos vivos em grande estilo. As canções épicas com rifes pesadíssimos, a bateria frenética e o vocal inconfundível demonstra um certo retorno às raízes menos comerciais da banda, o que agradou grande parte dos fãs e da crítica.

O mais instigante do video mostrado no início, da canção "All Nightmare Long", é que supostamente ele misturaria realidade e ficção. Nele teriam sido usadas imagens reais de um documentário sobre um médico russo que fazia experiências com a reanimação de tecidos mortos. Isso mesmo, estamos falando de zumbis!

A "histórinha" é a seguinte: a explosão de Tunguska dá início a trama. Sei, você não faz idéia do que seja Tunguska. Eu também não sabia. Mas nada que uma consulta ao oráculo Google não resolva: numa bela manhã do dia 30 de Junho de 1908, um OVNI (se ninguém sabe o que é e voa, então é um objeto voador não identificado) cruzou os céus da Sibéria e se espatifou num local chamado Tunguska. O misterioso é que apesar do impacto ter devastado o local, não foi encontrada nenhuma cratera ou sinal de meteorito. Os cientistas que estudaram o caso especulam que a energia liberada pela explosão ultrapassaria os 20 Megatons (potência equivalente a mil bombas de Hiroshima). Uma região de 2150 km² foi afetada, cerca de 80 milhões de árvores foram destruídas e um terremoto em torno de 5 pontos na escala Richter foi registrado. Até aqui tudo seria verdade e existiriam até fotos que comprovam o evento, mas, acredite quem quiser.

Agora vai a parte que seria fantasia: o fenômeno de Tunguska teria trazido um organismo alienígena capaz de produzir esporos que poderiam reanimar tecidos mortos. Anos depois, os soviéticos usariam tais "esporos" como uma arma terrorista, espalhando-os pelos Estados Unidos. Com o caos instalado em solo norte-americano e o capitalismo selvagem ido por água abaixo, os triunfantes comunas oferecem ajuda "humanitária" aos ianques, que aceitam. Robôs gigantes são enviados e restauram a ordem em solo americano, ou melhor, em território pertencente agora a União Soviética.

Este é o sensacional video “All Nightmare Long”, do Metallica. As supostas imagens reais pertenceriam a um documentário produzido na antiga União Soviética mostrando as experiências de um tal Doutor Sergei Bryukhonenko, que incluem cabeças de cachorros mortos mantidas vivas artificialmente.

Verdade ou fantasia? Quem liga? O que vale mesmo é ver o Metallica em forma, trazendo de volta o bom e velho estilo que consagrou a banda como uma das melhores do planeta.

Crônica #02: Pensando em você... música!!


Deus criou o universo em 7 dias. O que se omite da história é que enquanto tinha seu grande momento de inspiração, o Criador usava calças rasgadas no joelho, camisa de flanela e em um dos bolsos mantinha seu Ipod reproduzindo aleatoriamente as faixas de “ The Dark Side of the Moon”.

Desde o início dos tempos a música esteve presente na vida humana. Na certeza de uma escolha ou na dúvida do amanhã, sempre temos uma melodia para nos consolar e nos dar descanso servindo de ombro amigo nos momentos dificeis e incompreensíveis.

A música liberta e embala as grandes revoluções e mudanças de comportamento da humanidade. Já imaginou como seria os anos 60 sem o IE IE IE? A revolta contra a Guerra do Vietnã sem o embalo do rock psicodélico? O militarismo brasileiro sem a presença preguiçosa e envolvente da tropicália? Será que as camisas de flanela teriam espaço no guarda-roupa caso o Grunge não existisse?

Falando sério agora, quantas vezes você não apelou para uma música tentando demonstrar ou entender um sentimento gigante que você não consegue colocar em palavras? Para mim é impossível enumerar as vezes que uma grande melodia justificou ou embalou um momento da minha vida.

É engraçado pensar na música como uma grande prateleira de supermercado com inúmeras vertentes e ramificações: do R&B ao Death Metal e do Pagode ao Sertanejo, esses “produtos” jamais devem ser julgados ou discriminados pois despertam da mesma maneira dor, perda, alegria, redenção, liberdade e protesto.

Na música somos livres e não possuimos limites. Não importa o estilo que você curte ou o que você toca, a sonoridade que você admira jamais pode ser julgada pois te proporciona um sentimento único.

Graças a essa grande amiga que nunca te vira as costas, jamais te julga pelos erros cometidos e em hipótese alguma cobra pelo serviço prestado temos a cura para as dores da vida e mantemos o brilho nos olhos pela esperança do amanhã.

Grito aos 7 ventos: A MÚSICA LIBERTA E CURA ALMAS!!! HOJE E SEMPRE!!

AMÉM!

Ps: Já escutou seu som predileto hoje?

Artigo #02 : Nick Cave a as Sementes Más (Parte 1)

Nick Cave nasceu Nicholas Edward Cave numa pequena cidade da Austrália em 22 de Setembro de 1957. What? Você não sabe quem é Nick Cave? A voz mais gutural do rock mundial?

Então vamos a uma rápida apresentação e de imediato uma correção: Cave e sua banda, The Bad Seeds, tiveram a carreira vulgarmente (e equivocadamente) associada pelos críticos de plantão ao rock'n roll gótico dos idos anos 80. No entanto, apesar das canções que falam de amor, morte, crimes e melancolia, a faceta lúgubre do compositor australiano esconde um verdadeiro gênio musical, muito comentado, mas pouco ouvido e entendido em terras tupiniquins.
 
No cinema, além de compor trilhas sonoras, Cave atuou no faroeste “O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford” (2007) e escreveu o roteiro original do imperdível “A Proposta” (2005). 

Com mais de quinze discos lançados, uma dica para os novos adeptos ao som de Nick Cave é a coletânea The Best of Nick Cave & The Bad Seeds, lançada em 1999. Quem garimpar em lojas especializadas e estiver com um pouco de sorte pode conseguir a primeira edição, um álbum duplo que traz como bônus uma apresentação ao vivo chamada Live At The Royal Albert Hall, gravada em 1997. Vale ressaltar ainda  que a distribuidora nacional Paradoxx Music lançou toda a discografia de Nick e The Bad Seeds no Brasil.

Voltemos à biografia. Nick Cave nasceu Nicholas Edward Cave numa pequena cidadade da Austrália em 22 de Setembro de 1957. Cave conheceu, ainda na adolescência, o multinstrumentista Mick Harvey. Amigos de escola, rapidamente formaram uma banda, o The Boys Next Door (cujo som foi influenciado por uma banda australiana chamada The Saints). Em 1978, o baixista Tracy Pew e o baterista Philip Cavert juntam-se ao grupo, que lança o single These Boots Are Made For Walking, inspirados pela canção de mesmo nome interpretada por Nancy Sinatra (essa mesmo, filha do Frank Sinatra. O quê?? Não sabia que a filha do ator/cantor americano seguiu os passos do pai?? Talvez você se lembre da balada-western Bang Bang, parte da trilha do filme “Kill Bill”, do Tarantino). A rotina de Nick em início de carreira era semelhante aos primeiros anos de qualquer banda de rock, pequenos shows em bares e casas noturnas, pouca grana e muita dificuldade. Mas os rapazes insistiram e lançaram ainda em solo australiano um álbum chamado Door Door e um EP, o He-Haw. No entanto, apesar de todo o esforço, o cenário musical local oferecia poucas oportunidades. Nesse momento (meados de 1980), Nick chamou os amigos, pegou um avião e fugiu para Londres. The Boys Next Door virou The Birthday Party e imediatamente lançaram um álbum cujo título era o novo nome da banda. Nem preciso falar que hoje em dia este disco é uma raridade e objeto de colecionador estimado em alguns milhares de dólares.

Mas as dificuldades ainda persistiam e as primeiras apresentações do The Birthday Party na Terra da Rainha causavam certo estranhamento no público local. O cenário, dominado pelo pós-punk, parecia não estar preparado para a ruptura proposta por Cave, que já apresentava os traços característicos que marcariam o Bad Seeds, como o instrumental cru, as apresentações caóticas e o vocal imponente e inigualável. Em 81, a banda assina com o então desconhecido selo 4AD (que futuramente revelaria bandas do naipe do The Pixies). O The Birthday Party lançaria dois discos pela gravadora: Prayers on Fire (1981) e Junkyard (1982). Ainda neste ano, eles saem em turnê pela Alemanha com a banda industrial Einstüzende Neubauten, do guitarrista Blixa Bargeld. Este é um momento de grande importância para o que viria a ser o Bad Seeds, já que Cave acaba grande amigo de Blixa, futuro guitarrista das Sementes Más. Mais uma mudança. Ainda em 82, Nick e sua banda se transferem para Berlim, motivado pela boa recepção da turnê e aproveitando para fugir da polícia londrina que estava de olho nos deslizes da banda envolvendo alguns excessos com o álcool e as drogas. Gravam em solo alemão os EPs The Bad Seed e Munity!, mas no final de 1983 acabam se separando.

Cave volta para a Austrália, onde desaparece e desiste da carreira musical por uns tempos. Mas em 1984, Harvey convence o amigo a formar uma nova banda, chamada de The Bad Seeds (o nome foi tirado de um filme homônimo de 1956). O The Bad Seeds é formado, por Blixa Bargeld na guitarra, Barry Adamson (multinstrumentista), Anita Lane (uma poetisa!), Hugo Pace (guitarrista) e Nick Cave no vocal. 

Cave ainda escreve, neste mesmo ano de 1984, o roteiro e a trilha para o filme “Ghosts... Of The Civil Dead”, dirigido por Evan English e John Hillcoat, lançado apenas em 1988. As Sementes Más lançam o seu primeiro disco, From Here to Eternity, ainda em 1984. A faixa-título é uma das canções que se destacam, além do cover de Elvis Presley, In The Ghetto. O disco é definido pela crítica como opressivo, obsessivo e sufocante. As letras passeiam por ambientes sórdidos e sombrios. O álbum apresenta bons momentos, como a claustrofóbica Cabin Fever, a épica Saint Huck e a inusitada (e bizarra) recriação de Avalanche, de Leonard Cohen. A canção From Her to Eternity seria regravada em 1987 para o filme "Asas do Desejo", de Wim Wenders.

Ok. Muitas palavras e pouca música. Escutem abaixo duas interpretações de Nick Cave. Primeiro uma performance rara da banda The Boys Next Door, com Shivers e em seguida o clipe do maior hit do compositor: Do You Love me? (prestem atenção no início do clipe)

Puzzle #01: Influências, homenagens, plágios e afins (parte 2).

É difícil achar uma justificativa para a falta de criatividade, não apenas no cenário musical, mas em toda a produção artística deste começo de milênio. Refilmagens de filmes que já vimos, best sellers que não dizem nada a mais do que já foi dito, dinossauros do rock ressucitando o velho estilo. Nesta onda massificante de "mais do mesmo", perde-se o essencial da arte: a idéia de ruptura. Romper com o velho, trazer o novo e traçar o caminho pra liberdade. Não a liberdade do corpo, mas a liberdade das idéias e da alma. Espero que essa tal tese de que tudo foi escrito, cantado ou encenado seja apenas uma divagação teórica. Por que quando isso acontecer é sinal que já não existe mais arte e por consequência não existe mais vida.

Gramofonias a parte, voltemos ao planeta Terra. No último post colocamos um pequeno enigma. A questão era "quem teria se beneficiado pela canção Honestly, da banda a merica Cartel?"

Tire você mesmo as conclusões:



Vale ressaltar que a composição da banda "Cartel", que também não é grande coisa, é de 2006. O importante é ressaltar que o Estado Internético é sempre democrático, então o Gramofone convoca os Emos de plantão para defenderem a banda Fresno. Se a versão Fresno for comprovadamente apenas uma regravação passo a acreditar um pouco mais na nossa juventude EMOtiva...

Artigo #02: A definição do "normal"


E mais um clássico da história do Rock N’ Roll marca presença aqui no Gramofone Virtual. E, sendo muito honesto, se tivesse que enumerar minhas bandas preferidas (tarefa muito árdua para fanáticos por música), acredito que o mitológico Van Halen estaria no Top 5.

Marcada por uma carreira cheia de altos e baixos, a banda cravou o seu nome no cenário musical com riffs característicos de um espetacular guitarrista, músicas interpretadas por vocalistas explosivos e outras inúmeras qualidades que enalteciam o seu potencial. No entanto, o Van Halen ficou também marcado principalmente por situações inusitadas, indas e vindas que mexiam e ainda mexem com a cabeça dos fãs e polêmicas desnecessárias entre os integrantes.

Agora, o Van Halen mostra cada vez mais que dificilmente voltará a ser o que era antes e, fazendo coro a outros decepcionantes exemplos, escancara que pode estar fadado ao fim deprimente e sem sucesso, o que não faz jus a brilhante carreira desenvolvida ao longo dos anos.

A ERA DE OURO (1972 – 1984)

Para os menos familiarizados com a situação, leia-se que quando falamos de Van Halen, falamos de uma banda que teve início praticamente na infância dos irmãos Eddie e Alex Van Halen. Influenciados por seu pai (que tocava clarinete), ambos tiveram o seu interesse despertado pela música tocando piano. Em pouco tempo, eles haviam partido para a bateria e para a guitarra, sendo que Eddie tocava o primeiro instrumento e Alex o segundo. Não demorou muito para Alex se interessar mais por bateria, fazendo com que os papéis se invertessem.

Em 1972, Eddie conheceu aquele que seria um dos principais e mais carismáticos “frontmans” da história do Rock N’ Roll: o sr. David Lee Roth. Os três começaram a tocar juntos e, pouco mais tarde, o baixista Michael Anthony caiu de pára-quedas na vida dos caras. Resultado: nasce a formação original do Van Halen!

O começo não foi tão simples. Mesmo tendo sua demo bancada pelo baixista do Kiss, o apocalíptico Gene Simmons, a banda não foi aceita em nenhuma gravadora. Somente em 1978 os caras conseguiram um contrato com a Warner e lançaram o primeiro de muitos discos que levaram o Van Halen ao estrelato.

Daí pra frente, a história já passa meio que por osmose para a mente dos fãs mais assíduos. Eddie Van Halen se tornou um dos mais virtuosos e talentosos guitarristas da história da música em geral, David Lee Roth era considerado um verdadeiro comunicador, um mestre do entretenimento, Alex Van Halen se destacava por linhas de bateria significativas e muito bem construídas e Michael Anthony desenvolvia efeitos para suas linhas de baixo que tornavam as canções do Van Halen mais harmoniosas e cheias.

Sucessos como “Runnin’ With The Devil”, “Eruption”, “You Really Got Me”, “Ain’t Talk About Love”, “Jump” e “Panama” fizeram do Van Halen referência no mundo do Rock. A banda era divertida, alegre, passava um tom descontraído e, ao mesmo tempo, comprometido com os fãs e a crítica. Era nítido que quando um trabalho do Van Halen era lançado, a certeza de um bom material era inevitável.

A ERA DE PRATA (1985 – 1996)

As brigas, que se tornariam uma marca registrada do Van Halen nos anos a seguir, tiveram o seu debute em 1984, quando David Lee Roth teve desentendimentos com a banda (principalmente com Eddie) e deixou-a.

O Van Halen estava órfão de um dos seus líderes e um dos principais ícones da cultura pop. Quem poderia assumir a responsabilidade de substituí-lo? Se você respondeu “Chapolin Colorado”, está terrivelmente enganado.

Eis que Frank Zappa surge com uma novidade na praça. Ele recomenda para a banda aquele que seria não só o substituto ideal, mas também uma nova lenda do Rock N’ Roll: o sr. Sammy Hagar.

Não é preciso dizer que o disco de estréia foi um sucesso avassalador. “5150”, de 1986, trouxe sucessos marcantes como “Summer Nights”, “Why Can’t This Be Love”, “Dreams” e “Love Walks In”. A banda passou a ter um caráter mais sério, profundo, mas sem perder a descontração nos palcos e o carisma inerente. Humor e cultura pop deram lugar a letras mais elaboradas e melodias mais transcendentes que embalavam as paradas de sucesso e mantinham o Van Halen no topo.

Os anos que procederam “5150” não foram diferentes do disco de estréia. Canções como “When It’s Love”, “Poundcake”, “Right Now” e “Can’t Stop Lovin’ You” marcaram época e mostravam que o Van Halen não só havia superado a perda de David Lee Roth como também havia mantido a sua hegemonia no mundo do rock. Este período com Sammy Hagar ainda rendeu um álbum duplo ao vivo e uma coletânea que, como não poderia ser diferente, foram sucesso de venda.

Em 1995, o seguro e rentável “Balance” foi ensurdecedor e, ao mesmo tempo, “melodicamente correto”. O Van Halen trazia uma bagagem de mais de vinte anos nas costas e um entrosamento que faria Jimmy Page e Robert Plant se contorcerem em suas camas. A banda havia apresentado ao mundo mais um álbum de sucesso indiscutível e cifras que fogem da vista de qualquer ser mortal, equiparando canções como “Don’t Tell Me”, “Not Enough” e a já mencionada “Can’t Stop Lovin’ You” a hinos do passado.

No entanto, o álbum e a trilha do filme “Twister” intitulada “Humans Being” concediam os últimos fiéis suspiros ao Van Halen que acabou por mergulhar em um mar de indecisões e confusões logo em seguida.

A ERA DE BRONZE (1997 – 2009)

Não tinha escapatória. O Van Halen insistia em conviver com as brigas e mudanças constantes em sua formação e, conseqüentemente, na sua reputação. Pouco depois do lançamento de “Humans Being”, última música gravada por Sammy Hagar, um boato ratificava a volta de David Lee Roth aos vocais do Van Halen, o que gerou uma intensa guerra de egos na banda.

Sammy deixa o Van Halen pouco mais de dez anos após o seu ingresso como “frontman”, quando rumores davam conta de constantes brigas pessoais entre Eddie e ele. O vocalista afirmava que havia sido demitido da banda, enquanto Eddie teimava que houve um consenso para sua saída. O fato é que indícios davam conta de que David Lee Roth realmente estava voltando, principalmente após a sua participação em duas músicas da banda.

A esperada volta não aconteceu e o Van Halen foi de mal a pior nas críticas e na visão dos fãs com a entrada do ex-vocalista do Extreme, Gary Cherone.

A banda simplesmente não se encontrou. Lançou em 1998 o disco “Van Halen III” que foi um fracasso de vendas. Gary simplesmente não se encaixava no padrão Van Halen que David e Sammy haviam criado e a sua dedicação e disposição nos palcos e gravações não foram suficientes para suportar o peso de manter o alto nível nos vocais.

Após “Without You”, “Josephina” e a trilha do filme “Máquina Mortífera 4” intitulada “Fire In The Hole”, Gary não correspondeu e deixou a banda logo após a sua primeira turnê. Era nítido que a sua presença trazia algo de muito errado para o Van Halen e não condizia com as necessidades da banda.

Foi aí que a situação fugiu de vez do controle. Eddie literalmente foi ao fundo do poço e entrou de cabeça nas drogas e no álcool. O Van Halen passou a não ter nenhuma perspectiva de volta e seus integrantes dificilmente transmitiam indícios de que algo de bom poderia acontecer novamente.

Enquanto o baixista Michael Anthony seguiu com Sammy Hagar em uma turnê da carreira solo do cantor, Eddie colocou um fim ao seu casamento de anos e descobriu um câncer na língua. Era a “cereja no bolo” para as atividades do Van Halen ficarem definitivamente suspensas por tempo indeterminado.

David Lee Roth era o único que procurava apimentar as coisas. Vez ou outra, o instigante cantor aparecia na mídia e jogava notícias de que a banda estaria voltando as boas, inclusive com ele nos vocais. Prontamente, Roth era desmentido pelos outros intrigantes, que ratificavam as chamadas “férias forçadas”.

Em 2001, após uma constatação de vários médicos que diziam que o câncer estava sendo curado com sucesso, Eddie deu a entender a sua pretensão de reviver os dias de glória do Van Halen. Era uma nova possibilidade de volta.

Foi somente três anos depois que, para a surpresa de todos, Sammy Hagar volta as boas com Eddie e o Van Halen ressurge das cinzas. O vocalista grava com os integrantes originais a coletânea “Best Of Both Worlds”, que possui três músicas inéditas e rende uma turnê pelos EUA.

O que não foi surpresa novamente foi a saída de Sammy em 2006. O motivo? A boa e velha ciumeira em torno da volta de David Lee Roth aos vocais do Van Halen. A história não muda: diversos rumores dão conta do retorno do vocalista, mas nada se concretiza e a banda volta a ser uma incógnita.

Dessa vez, Sammy não só saiu como levou consigo o baixista Michael Anthony. Com isso, o cargo foi assumido por Wolfgang Van Halen, filho de Eddie, de apenas quinze anos na época. A banda começa a tomar outra cara e, mais uma vez, o nome de David Lee Roth ganha força.

Já em 2007, Eddie negocia a volta definitiva de Roth. O Van Halen convoca uma coletiva de imprensa e anuncia o retorno oficial da banda com Eddie Van Halen nas guitarras, Alex Van Halen na bateria, Wolfgang Van Halen no baixo e David Lee Roth finalmente nos vocais.

Nos últimos dois anos, o Van Halen tem feito shows principalmente para reafirmar sua posição de uma das maiores bandas do mundo e, acima de tudo, recuperar a sua reputação um tanto quanto manchada pelas polêmicas dos últimos anos. A banda estava à espera dos dezoito anos de Wolfgang para poder trabalhar em um novo álbum, que não tem previsão de lançamento. A maioridade do rapaz já veio, mas e o novo álbum? É um grande mistério...

Portanto, é difícil saber até que ponto a fama ajuda ou atrapalha. O Van Halen é sem sombra de dúvidas uma das melhores bandas que existiram nas últimas três décadas. No entanto, quais dessas bandas atuais ou do passado podem ser literalmente consideradas “normais”? E o que é o “normal”? No cenário musical, ao que tudo indica, até o próprio Van Halen pode se encaixar nessa definição. No entanto, este é um dilema que nem o mais fiel amante da música pode definir. Afinal, quem é normal nesse mundo?

“Right Now...VAN HALEN is kicking ass!”

Puzzle #01: Influências, homenagens, plágios e afins.

Existe uma tese que afirma sabiamente que toda palavra já foi escrita, todo quadro já foi pintado, todo solo de guitarra já foi tocado. Então tudo o que nos resta são influências, homenagens e... plágios. Minha idéia aqui não é traçar a linha que separa estas três categorias, já que ela é por demais abstrata.

Bom, a jogada é a seguinte: "Ganha um pirulito quem advinhar quem se beneficiou da canção abaixo:"
 


Resposta no próximo POST deste que vos fala...